Sempre sofri o efeito catártico do céu.
Como se nele estivessem as essências do que eu sentia, como se fosse uma libertação, um lamento, uma saudade. E ele nunca trouxe nada de volta. Lá estava tudo o que eu lembrava e esquecia, e por mais que eu falasse com as nuvens, ele nunca respondia. Continuava lá, impassível. Cínico, como um psicanalista mudo, passivo e pragmaticamente inútil. Lá deixei todos os meus desejos, quando não havia nenhuma estrela cadente. Tudo o que recebi foi a desgraça da solidão de sentar sozinho olhando as estrelas. O céu se ilumina e apaga sobre mim, mas continuo no mesmo lugar, observando a revolução dos astros. Sempre tão distantes, e eu tão desejante, sonhando, um tolo. Talvez seja alto demais. Como chegar lá? Ver o mundo sob mim e dizer “au revoir, idiotiques!”. Devaneios…
O céu me responde com uma chuva. Todos correm. Não corro. Sozinho. Outra vez.
E o que fica é uma pneumonia.